a última nuvem é a última nuvem que fica no último céu. não sei onde caberá uma nuvem como essa que sendo a última tem de durar até que o último céu seja o último, já sem nuvens, já se sabe que terá que durar muito, que é esse o último céu e o último é sempre o que espera mais porque tem de esperar desde o início. o céu que já não tem as nuvens é assim só céu por isso e excessivamente a ocupar o lugar portanto onde antes estiveram as outras nuvens. às vezes de noite sonho que vejo a última nuvem e ela é uma nuvem como outra qualquer. só é a última porque não haverá mais nenhuma depois dela. e nesse sonho o mundo depois não tem mais nuvens, porque não acordo logo e ainda consigo ver como é o mundo que não tem nuvens e que é o último mundo também, o último mundo a ser o último e sem as nuvens já. é um mundo aparente só, onde todas as coisas se passam só como se se passassem. é um mundo triste, ainda mais sim, desde já vos digo, muito mais, aliás. triste no sentido de nada acontecer de facto. e tudo isso, ou o nada, portanto, o nada de nada ser, em que nada é o nada em si sendo já alguma coisa mas que é nada por não poder ser mais nada, se deve ao facto de não haver nuvens que transformem as coisas em sonhos e porque um mundo depois sem sonhos é um mundo sem nada, ou com mais nada além do nada que é a possibilidade de ser o que tinha sido ou que seria se antes do último céu do último mundo não tivessem sido primeiro as últimas nuvens. o último céu antes de ser o primeiro sem as nuvens, contei no sonho, é o oitavo. portanto, vos digo, quando contarem o oitavo céu a partir da primeira nuvem, não se esqueçam de sonhar que não haverá jamais nenhum céu sem nuvens.
17/02/09
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2 comentários:
e nada impossibilita que chovam sonhos de um céu sem nuvens.
Gostei muito claro.
Bjo para ti.
Obrigada pelos sonhos e pelas palavras também cheias de nuvens.
Abraço grande para o Alentejo*
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