16/09/08

terra devastada (5)




a luz toda por dentro

nasceu o dia outra vez da noite e a luz começou do princípio para o dia. um dia sem a luz nasceu para a luz ser o dia no lugar do escuro. a luz então foi luz por dentro das coisas. em tudo onde havia o escuro entrou e onde não estava mais a luz, passou a luz a estar, nesse dia e depois em todos os outros que se seguiram. a luz ninguém quis ver por ser o escuro a cor de todas as coisas que os olhos olhavam. mas não olhavam os olhos a luz com medo de a ver dentro das coisas e as coisas assim deixarem de ser coisas e passarem a ser luz. mas havia ainda a luz própria das coisas que sempre esteve lá, independentemente dos olhos que não a queriam ver, e nessa luz estava a profundidade que era escuridão negra, noite como breu e ainda mais noite outra vez. e essa luz outra que é a escuridão no fim foi a luz que entrou num lugar que já era a escuridão do fim da luz por ter antes então tido luz a mais e depois ter ficado a precisar do escuro que é do que não é luz somente. no lugar onde só houve escuro muito tempo a luz entrou por acaso, que é por acaso que as verdades verdadeiras acontecem. no escuro de muito tempo a luz que era do princípio do dia entrou e ficou. ficou. ficou. até o escuro se misturar com a luz e a luz ter sido tudo o que aconteceu nesse lugar.

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