uma porta sem gente é uma porta com coisas dentro. é tão a porta sem a casa como a gente sem portas para entrar. é a porta a existir como possibilidade de não o ser. no limite, é uma entrada que não se atalha nunca, que não se sabe nunca se é entrada porque não se experimentou jamais essa condição entre o que está antes e o que está depois. ainda assim é uma entrada. tem nome de entrada e de porta que lhe dão as pessoas mas não tem gente. as pessoas ficam à porta, à entrada. não entram porque têm medo ou por outra coisa qualquer. tem coisas dentro a entrada e a porta. coisas que não são das pessoas e por isso essas coisas as pessoas não podem nem devem ver porque as não compreenderão nunca. não as verão sequer. as coisas são das pessoas o que resta. essas coisas que ficam para trás e que as pessoas pensam que não são suas porque as largaram no meio do caminho. o caminho também é gente. não entraram pela porta as pessoas porque pela porta nunca nada passou a não ser as coisas antes de serem coisas. e antes disso não coisas, eram nada. mas estão lá, depois da porta, até que sejam novamente nada e passem a ser das pessoas outra vez. mas só se as pessoas deixarem de ter medo ou outra coisa qualquer e entrarem pela porta e a porta deixar de ser uma porta com coisas dentro.
28/07/08
terra devastada (4)
porta
às 14:36
Subscrever:
Enviar comentários (Atom)
2 comentários:
Gostei muito de mais esta porta aberta para os mundos multifacetados e de engenhosa eloquência desta escrita única. Que falta vão fazer estes traços de infinito nos dias próximos da ausência!... Até breve, se possível
Obrigada amigo Gustavo, sempre pela presença e pelas palavras. Não haverá ausência. Um abraço amigo
Enviar um comentário