22/07/08

terra devastada (3)


por vezes o espanto


não temo. o que espreita o vidro, a rasura, dentro de mim exposto. sou a boca do lugar a que chega a repetição do estilhaço que é o fragmento informe de uma coisa completa, absorta na sua expectativa de unidade. o lugar perto de mim, por entre a urdidura de mil possibilidades em velocidade, no atordoamento do espanto em volta, em circunferência, em desnível a esclarecer a gravidade. não temo, ora. por vezes o espanto. por vezes a dor. por vezes o corpo todo na boca. por vezes o enredo de uma só palavra mal entendida, estilhaçada no lugar da dor. como o corpo nessa dor depois.

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